quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O império dos sentidos


O império dos sentidos

            “Acredite se quiser.” Esse era o lema estampado numa camiseta baby look  - cor laranja  - que usei na minha pré-adolescência. Pois bem. Eu adorava usá-la. Era década de 70 e o lema era esse mesmo. Osvaldo Cruz. Interior de São Paulo, também conhecida como “princesinha da alta paulista”, se bem que para princesinha falta, ainda, muito, mas o cine local exibia os principais filmes e dentre eles “O Império dos sentidos”.
            Então, lá fomos nós, eu e minha avó, ao cinema. Não fazíamos a menor ideia sobre a temática do filme em cartaz, nem lemos resenha sobre o mesmo, apenas neta e avó  resolveram ir ao cinema, cujas sessões estavam lotadas.
            Não me lembro  muito bem como reagia minha pudica avó,  às cenas assistidas... eu, porém,  lembro-me de algumas, que agora me veem à tona,  ao ler sobre a morte  do cineasta Nagisa Oshima.
            Foi muito engraçado e ainda  é muito divertido lembrar como foi a saída da sessão, na pacata Osvaldo Cruz, onde muitos jovenzinhos estavam à porta do cinema perguntando aos imperialistas que saiam da sala :
            -E aí, gostaram do filme? Ahhhhh....você gostou né... olha só a carinha dela... (com aqueles sorrisinhos  marotos). 
“Éramos garotos...”
            Eu e minha querida avó subimos a Avenida Presidente Roosevelt comentando sobre o filme e dando boas risadas e claro, combinamos não contar nada sobre o assunto do filme,  principalmente ao meu avô , que por sorte não quis ir conosco à sessão, muito menos aos meus pais.
            Éramos cúmplices, se bem que entre minha avó e eu, havia muitas outras cumplicidades... e lembrar sobre o  Filme O Império dos Sentidos, é recordar o próprio filme em si, mas para mim, muito mais que isso,  é recordar uma avó nascida na década de 1920 e que estava acima dos padrões sociais da época, impostos pela época.
            Só hoje descubro que o cineasta Nagisa Oshima estava para minha avó, assim como minha avó estava para Nagisa Oshima.
Banzai  a ambos!
                                                        Cidinha Hosoya
            




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