O império dos sentidos
“Acredite se quiser.” Esse era o
lema estampado numa camiseta baby look -
cor laranja - que usei na minha
pré-adolescência. Pois bem. Eu adorava usá-la. Era década de 70 e o lema era
esse mesmo. Osvaldo Cruz. Interior de São Paulo, também conhecida como
“princesinha da alta paulista”, se bem que para princesinha falta, ainda,
muito, mas o cine local exibia os principais filmes e dentre eles “O Império
dos sentidos”.
Então, lá fomos nós, eu e minha avó,
ao cinema. Não fazíamos a menor ideia sobre a temática do filme em cartaz, nem
lemos resenha sobre o mesmo, apenas neta e avó
resolveram ir ao cinema, cujas sessões estavam lotadas.
Não me lembro muito bem como reagia minha pudica avó, às cenas assistidas... eu, porém, lembro-me de algumas, que agora me veem à tona,
ao ler sobre a morte do cineasta Nagisa Oshima.
Foi muito engraçado e ainda é muito divertido lembrar como foi a saída da
sessão, na pacata Osvaldo Cruz, onde muitos jovenzinhos estavam à porta do
cinema perguntando aos imperialistas que saiam da sala :
-E aí, gostaram do filme?
Ahhhhh....você gostou né... olha só a carinha dela... (com aqueles
sorrisinhos marotos).
“Éramos garotos...”
Eu e minha querida avó subimos a
Avenida Presidente Roosevelt comentando sobre o filme e dando boas risadas e
claro, combinamos não contar nada sobre o assunto do filme, principalmente ao meu avô , que por sorte não
quis ir conosco à sessão, muito menos aos meus pais.
Éramos cúmplices, se bem que entre
minha avó e eu, havia muitas outras cumplicidades... e lembrar sobre o Filme O Império dos Sentidos, é recordar o
próprio filme em si, mas para mim, muito mais que isso, é recordar uma avó nascida na década de 1920 e
que estava acima dos padrões sociais da época, impostos pela época.
Só hoje descubro que o cineasta
Nagisa Oshima estava para minha avó, assim como minha avó estava para Nagisa
Oshima.
Banzai a ambos!
Cidinha Hosoya
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