quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Década de 70



Seleção Canarinho

Década de 70. Seleção Canarinho. E que seleção! Pelé, Jairzinho, Rivellino, Gérson, Tostão, Carlos Alberto, Britto, Félix, Piazza, Everaldo e Clodoaldo. Copa do mundo sediada no México, de 31 de maio a 21 de junho, no Estádio Azteca.
Nossa Seleção Canarinho, liderada pelo Capitão Carlos Alberto Torres, torna-se a  primeira seleção  tri campeã  e a taça Jules Rimet é nossa.  No dia 21 de junho, o placar foi de 4 x 1  em cima da Itália; gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto,  um verdadeiro jogaço. Nunca mais tivemos uma seleção assim.
Essa copa foi a primeira a ser transmitida em cores e para nosso deleite ainda maior, o uniforme da nossa seleção era camisa amarela e canção azul, enaltecendo as cores de nossa bandeira , impregnando  nos 90 milhões de brasileiros,   muito patriotismo.
A Ditadura Militar era quem comandava a nação da época  e o título conquistado  pelos Canarinhos  serviu de propaganda política. A música que fazia o elo entre futebol, política e povo  era na seguinte letra: “90 milhões em ação, pra frente Brasil, no meu coração, todos juntos  vamos, pra frente Brasil, salve a seleção...”
É...  salve a seleção. A seleção, porque coitado do meu pai. Na época, interior do Paraná, quase ninguém tinha TV. Morávamos  numa fazendo ao Norte do Estado e meu pai era o administrador. Fanático que era por jogo, como a maioria dos homens, comprou uma  SempToshiba  e todos os amigos, nos dias de jogos da seleção,  vinham e enchiam a sala de euforia, alegria, gritos e urros, torcida organizada para a Seleção Canarinho.  As mulheres e os filhos,  idem. Todos sintonizados na mesma emoção... alegria contagiante!
Mas, coitado do meu pai, era ele quem mais sofria nesses dias de glória futebolística. Tínhamos um vizinho de sítio que era fissurado por jogo,  Sr. Giroldo,  juiz de futebol na região, que era também um dos vizinhos que assistiam aos jogos da seleção em casa e que sentando próximo de meu pai, nele descontava toda a sua emoção.
Sendo juiz de futebol e tendo que nessa profissão ser cauteloso, o mesmo não se podia dizer quando  assistia aos jogos, pois ali deixava transparecer quem na verdade  era: um apaixonado e eufórico  torcedor.
Nos lances perigosos, nas faltas cometidas, nos gols marcados,  Sr. Giroldo não somente gritava e pulava, como também  batia com a palma da mão na perna de quem próximo dele estivesse sentado, coitado de meu pai! Ao final do jogo, apoteose! Abraços, rojões... na cidade,  passeatas! Todos íamos lá, comemorar a vitória da Nossa Seleção Canarinho.
Um  no entanto ia, sem dor no coração, afinal o coração estava transbordante de alegria... mas  com a  perna dolorida, afinal  ter compadre  juiz de futebol  não é mole não!
                                                                                            
Cidinha Hosoya











































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