Seleção Canarinho
Década de 70. Seleção Canarinho.
E que seleção! Pelé, Jairzinho, Rivellino, Gérson, Tostão, Carlos Alberto,
Britto, Félix, Piazza, Everaldo e Clodoaldo. Copa do mundo sediada no México,
de 31 de maio a 21 de junho, no Estádio Azteca.
Nossa Seleção Canarinho, liderada
pelo Capitão Carlos Alberto Torres, torna-se a
primeira seleção tri campeã e a taça Jules Rimet é nossa. No dia 21 de junho, o placar foi de 4 x 1 em cima da Itália; gols de Pelé, Gérson,
Jairzinho e Carlos Alberto, um
verdadeiro jogaço. Nunca mais tivemos uma seleção assim.
Essa copa foi a primeira a ser
transmitida em cores e para nosso deleite ainda maior, o uniforme da nossa
seleção era camisa amarela e canção azul, enaltecendo as cores de nossa
bandeira , impregnando nos 90 milhões de
brasileiros, muito patriotismo.
A Ditadura Militar era quem
comandava a nação da época e o título
conquistado pelos Canarinhos serviu de propaganda política. A música que
fazia o elo entre futebol, política e povo
era na seguinte letra: “90 milhões em ação, pra frente Brasil, no meu
coração, todos juntos vamos, pra frente
Brasil, salve a seleção...”
É... salve a seleção. A seleção, porque coitado do
meu pai. Na época, interior do Paraná, quase ninguém tinha TV. Morávamos numa fazendo ao Norte do Estado e meu pai era
o administrador. Fanático que era por jogo, como a maioria dos homens, comprou
uma SempToshiba e todos os amigos, nos dias de jogos da
seleção, vinham e enchiam a sala de
euforia, alegria, gritos e urros, torcida organizada para a Seleção Canarinho. As mulheres e os filhos, idem. Todos sintonizados na mesma emoção...
alegria contagiante!
Mas, coitado do meu pai, era ele
quem mais sofria nesses dias de glória futebolística. Tínhamos um vizinho de
sítio que era fissurado por jogo, Sr.
Giroldo, juiz de futebol na região, que
era também um dos vizinhos que assistiam aos jogos da seleção em casa e que
sentando próximo de meu pai, nele descontava toda a sua emoção.
Sendo juiz de futebol e tendo que
nessa profissão ser cauteloso, o mesmo não se podia dizer quando assistia aos jogos, pois ali deixava transparecer
quem na verdade era: um apaixonado e
eufórico torcedor.
Nos lances perigosos, nas faltas
cometidas, nos gols marcados, Sr.
Giroldo não somente gritava e pulava, como também batia com a palma da mão na perna de quem
próximo dele estivesse sentado, coitado de meu pai! Ao final do jogo, apoteose!
Abraços, rojões... na cidade, passeatas!
Todos íamos lá, comemorar a vitória da Nossa Seleção Canarinho.
Um no entanto ia, sem dor no coração, afinal o
coração estava transbordante de alegria... mas
com a perna dolorida, afinal ter compadre
juiz de futebol não é mole não!
Cidinha Hosoya
Nenhum comentário:
Postar um comentário