domingo, 7 de abril de 2013

-ALHÔ!

Agora, 
prestes a completar
meio século, 

todas as manhãs,
quando sigo
para o trabalho,

não encontro mais 
o vendedor de flores
da Dr. Alceu.

Encontro  um vendedor
de alho,
na Miguel Stefano. 

Todos os dias.
Todos os dias.
Todos os dias.

Faça chuva, ou sol,
Lá está ele,
Vendendo seus temperos
E eu as aulas. 


Hoje vendia,
Mesmo debaixo 
de uma "Bruta Chuva".

Fico pensando neles,
No vendedor de flores
De outrora 
e no de alho,
De agora.

Ele diz,
Meio "afrancesado:
-Alhô!,
ao passar pelos carros.

Jeito cansado
de vender sua mercadoria
e dizer as coisas!

O que vejo 
nesse homem
que encontro
todas as manhãs
de meu viver!

Agora, 
que estou prestes 
a completar meio século,

vejo, 
que está na hora 
de temperar a vida,
que é curta e breve:

_Alhô!

 (Para todos nós!)
                                   05.04.13

                                                       

                         

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